Preocupações com o crescimento

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Clipping - Estado de Minas | 12/11/2012 - Atualizada em: segunda-feira, 17 de outubro de 2016 5:55

Agência Senado

* por Clésio Andrade, Clésio Andrade é senador por Minas Gerais e Presidente da CNT – Confederação Nacional do Transporte


Eleições costumam marcar tempos de esperanças e de expectativas. É nesse clima de conclusão de campanhas eleitorais e maturação dos resultados das urnas que mudo o enfoque com que venho, há anos, sugerindo e cobrando soluções para a logística nacional. O objetivo de sempre é a defesa da competitividade da produção nacional no mercado global, com redução de custos e do desperdício de tempo, ao lado do aumento da segurança de nossas vias de transporte, onde se perdem 8,5 mil vidas por ano. Perdas em boa parte evitáveis com intervenções em nossas vias de tráfego.

É de conhecimento comum que investimentos em logística, ou seja, na construção, duplicação e melhoria de estradas e ferrovias, portos e aeroportos, e obras correlacionadas, são um dos principais instrumentos de impulsão do crescimento.

Os investimentos em infraestrutura elevam a demanda agregada, a capacidade produtiva da economia e a competitividade de todos os atores. Apesar disso, nos últimos 20 anos, a média anual dos investimentos públicos no segmento tem girado entre 1,82% a 2,07% do PIB. Este último percentual, referente ao ano passado, equivale a R$ 85,7 bilhões. Desse total, a União financiou R$ 39,5 bilhões (0,95% do PIB); os estados, R$ 28,7 bilhões (0,69% do PIB); e os municípios, R$ 17,5 bilhões (0,42%). Números da Secretaria do Tesouro Nacional.

São valores muito abaixo da necessidade e que poderiam ser mais expressivo se o país contasse com um estoque de projetos prontos, deficiência que poderá ser minimizada em futuro próximo, a partir da efetiva implantação da Empresa de Planejamento e Logística S.A. (EPL), em boa hora criada pela presidente Dilma, pela Medida Provisória 576, já aprovada por Comissão Mista do Congresso por mim presidida. 

O maior exemplo recente do acerto da receita de crescimento citada é a China, com os resultados que a levaram rapidamente ao posto de segunda economia mundial. Nos primeiros oito anos deste século, a China cresceu nada menos do que 261%. Evolução baseada em investimentos em infraestrutura, principalmente logística, em um país que consegue investir praticamente metade de seu PIB, ou seja, 50% de tudo que produz. 

Invertendo a proposição de investir para crescer, vale a pergunta sobre como enfrentar a retomada do crescimento programada para 2013 sem a respectiva ampliação e melhoria de nossa infraestrutura logística. O governo brasileiro anuncia a retomada do ritmo de pelo menos 4% de crescimento, frente aos pífios 2,7% do ano passado e cerca de 1,5% neste ano. Como enfrentar esse crescimento se nossas estradas, portos e aeroportos estão saturados; a mão de obra está escassa para as necessidades; a poupança nacional é mínima e o governo não têm recursos para investir? 

As dores do crescimento entre crianças e adolescente preocupam os pais, mas sinalizam o futuro, o amadurecimento, a independência e a realização adulta. As preocupações com o crescimento de um país e com o desenvolvimento de uma nação angustiam seus dirigentes e seus cidadãos, mas também podem estimular a busca de soluções.

Por isso, a pertinência e oportunidade da pergunta sobre o que fazer, ou como fazer, para que as deficiências em infraestrutura de transporte não asfixiem a retomada do crescimento brasileiro programada para os próximos anos. Apesar das ondas de otimismo que geram, preocupações com o crescimento são sempre boas por natureza. 


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