Governo decide mudar as regras dos próximos leilões de rodovias

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Cipping - Jornal da Globo | 17/09/2013 - Atualizada em: sábado, 15 de outubro de 2016 19:49

Depois de não conseguir despertar o interesse de investidores, o governo decidiu mudar as regras dos próximos leilões de rodovias. Será oferecido um trecho de cada vez e não dois a cada rodada, como estava previsto. A intenção é acompanhar de perto cada processo de concessão e se antecipar aos problemas.

Uma luz amarela acendeu quando não apareceu nenhum interessado para o leilão da BR-262. Para Clésio Andrade, presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), o problema está no modelo de negócio montado pelo governo.

Ficou acertado que a obra de duplicação de 369 quilômetros da estrada entre o Espírito Santo e Minas Gerais será dividida com a iniciativa privada quase pela metade. A concessionária faz 188 quilômetros e o DNIT fica com 180
.

“Um dos problemas é que os empresários não acreditam que o governo vai fazer, vai construir a parte dele. No momento em que ele vai fazer uma parte e o governo outra, mas ele vai depender do pedágio para poder pagar os financiamentos, investimentos. Ele não acredita que o governo vai fazer. Automaticamente, se torna inviável aquele projeto”, diz Andrade.

Para tentar evitar a fuga de investidores, o ministro dos Transportes, César Borges, disse nesta segunda-feira (16) que o governo vai mudar o cronograma de leilões de rodovia. Agora, será oferecido um trecho de cada vez e não dois a cada rodada, como estava previsto. A intenção é acompanhar de perto cada processo de concessão e se antecipar aos problemas.

O primeiro leilão, marcado para a quarta-feira (18), será de um trecho de 436 quilômetros da BR-050, entre Goiás e Minas Gerais. Oito consórcios apresentaram propostas para a estrada que teve boa parte duplicada pelo governo.

O programa de concessão de rodovias pretende entregar à iniciativa privada nove trechos em diferentes regiões do país. Vence quem oferecer a menor tarifa de pedágio. A concessão vai durar 30 anos. De acordo com a última pesquisa da CNT, dos nove trechos de rodovias, quatro estão em bom estado de conservação. Os outros cinco trechos foram considerados regulares.

Depois de entregues à iniciativa privada, todos os trechos terão que ser duplicados e restaurados em cinco anos. A cobrança do pedágio só poderá começar quando pelo menos 10% do trecho estiver duplicado.

“O transportador brasileiro, acho que o usuário de automóvel, chegou à conclusão que é melhor você ter uma rodovia bem cuidada, duplicada, com segurança cobrando pedágio do que as rodovias do jeito que são em todo Brasil, em péssimas condições, com muitos acidentes, muitos riscos e as pessoas, às vezes, até desanimam de viajar”, diz Andrade.

O ministro dos Transportes,
César Borges, disse que irá remover todas as dificuldades que forem encontradas no processo de concessão.

Assista a entrevista! 



​Repórter Vladimir Neto / Brasília

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