Clésio Andrade: Correio Braziliense

Compartilhar           Orkut          

Clipping - Correio Braziliense | 13/06/2013 - Atualizada em: sábado, 15 de outubro de 2016 6:47

​Depois da divulgação de duas pesquisas de opinião que acenderam o alerta sobre a avaliação do governo, o Palácio do Planalto deve amplificar o anúncio de mais benefícios para o Minha Casa, Minha Vida, marcado para hoje. Em busca de uma agenda positiva, a presidente Dilma Rousseff aposta na concessão de uma linha de crédito para que os beneficiados possam mobiliar as residências. A solenidade vem em um momento em que o governo enfrenta turbulências econômicas, com inflação em alta, taxa de juros em elevação e Produto Interno Bruto (PIB) estagnado. No Congresso, a relação com a base aliada e com o próprio PT atravessa o pior momento desde 2011. Para estancar um possível baque na popularidade, o anúncio também terá maior abrangência, e será feito em cadeia de rádio e televisão, pilotado diretamente pelo marqueteiro da campanha de 2014, João Santana.

Santana chegou ao Palácio da Alvorada no início da noite de ontem para gravar o pronunciamento. A estratégia é repetir experiências anteriores, consideradas exitosas, quando a presidente foi à televisão anunciar a redução na conta de energia elétrica, a desoneração dos produtos da cesta básica e o lançamento do Programa Brasil Carinhoso, aumentando os recursos destinados ao Bolsa Família. A avaliação do comando petista e do governo é de que essas propostas, anunciadas diretamente para todos os brasileiros em horário reservado à Presidência, ajudaram a alavancar a popularidade da presidente, ora em queda.

O valor da linha de financiamento não foi revelado. O que se sabe é que ele vai abranger o conjunto de moradias já entregues e cujos moradores estejam com as prestações em dia. Estima-se que esse público abranja aproximadamente 1 milhão de residências, especialmente nas classes D e E. Os recursos, que serão disponibilizados pela Caixa Econômica Federal, permitirão que os contemplados com as residências possam comprar desde eletrodomésticos de linha branca até tevês de plasma. Já foram entregues, até o momento, 1,5 milhão de unidades do Minha Casa, Minha Vida. Até 2014, Dilma quer construir mais 2,5 milhões de moradias.

Vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC) acredita que medidas como as que serão anunciadas hoje ajudam nesse momento de crise econômica. "Impacta diretamente nas famílias e em uma cadeia produtiva ampla, que vai desde a construção de casas populares até a fabricação de eletrodomésticos", ponderou ele. "Sem dúvida, é algo bom para melhorar o moral do governo nesse momento", confirmou o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Para outro parlamentar aliado, contudo, o benefício fica aquém de outras medidas já anunciadas pela presidente Dilma. "O público atingido é de aproximadamente 1 milhão de famílias. No Brasil, temos 60 milhões de famílias. Isso mostra que o governo está preocupado? Tudo bem. Mas tem muito mais efeito o anúncio da redução na tarifa de energia elétrica, pois abrange um maior número de pessoas beneficiadas", afirmou um integrante da base de apoio do governo.

Sondagem

O governo sabe que precisa correr para reverter o momento adverso. Levantamento divulgado ontem pela Confederação Nacional dos Transportes/MDA Pesquisa mostrou que a avaliação positiva do governo ficou em 54,2% em junho. A sondagem ouviu 2 mil pessoas, entre 1º e 5 de junho, em 134 municípios. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

A avaliação do governo Dilma caiu em relação ao último levantamento CNT/MDA, em julho de 2012, quando a gestão dela registrava 56,6% de aprovação. Outras sondagens recentes confirmaram uma tendência de queda na aprovação ao governo. Pesquisa Datafolha divulgada no último sábado registrou uma diminuição de oito pontos percentuais na avaliação positiva em relação ao levantamento anterior do instituto, feito em março. Ela recebeu, na mais recente, a aprovação de 57% dos eleitores.

Para o senador Clésio Andrade (PMDB-MG), presidente da CNT, a sondagem serve como "alerta" ao Planalto. "A inflação é um dos fatores que mais pesam, as pessoas têm a sensação de aumento de preço. O governo está com dificuldades para realizar obras públicas, o país tem enfrentado problemas graves de exportação que prejudicam a competitividade no mercado. A subida do dólar também afeta a classe média em suas viagens", avaliou.

De acordo com a pesquisa CNT/MDA, a avaliação positiva do desempenho pessoal da presidente é de 73,7%. Desaprovam a petista 20,4% dos entrevistados. Não sabem ou não responderam, 5,9% dos escutados pela pesquisa. "Temos a certeza de que será uma disputa dura para defender o nosso projeto", disse o deputado Carlos Zarattini (PT-SP).

Segundo o levantamento, Dilma venceria as eleições em primeiro turno, caso o pleito fosse hoje. De acordo com a CNT/MDA, a petista ficaria com 52,8% dos votos, contra 17% do senador Aécio Neves (PSDB-MG). A ex-ministra Marina Silva (Rede) aparece em terceiro, com 12,5% dos votos. O governador Eduardo Campos estaria em quarto, com 3,7% dos votos brancos e nulos somam 8,4% dos votos. Não sabe ou não responderam, 5,6%.

Colaborou Juliana Braga

Avaliação

54,2%

Aprovação do governo da presidente Dilma Rousseff, em junho, segundo o levantamento CNT/MDA

73,7%

Aprovação pessoal da presidente Dilma

52,8%

Índice que Dilma alcançaria caso as eleições fossem hoje

Compartilhar           Orkut