No Senado, cafeicultores de Minas debatem reforma do código florestal

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| 05/10/2011 - Atualizada em: quarta-feira, 12 de outubro de 2016 17:54

Clésio Andrade e Diego Andrade, durante audiência pública

 

 
Nesta quarta-feira (5), os cafeicultores do Sul de Minas foram à audiência pública conjunta das Comissões de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), de Ciência e Tecnologia (CCT) e de Meio Ambiente (CMA) do Senado Federal para debater o impacto da reforma do Código Florestal para a região. A audiência pública foi realizada a pedido do senador Clésio Andrade (PR-MG).

“O encontro foi bastante produtivo. Os cafeicultores apresentaram as principais preocupações e mostraram que o novo código pode ser aprovado sem prejudicar os cafeicultores e a produção nacional”, afirmou Clésio Andrade.

O café é uma cultura de altitude e por isso deve ser produzido em morros e encostas, áreas que podem ser consideradas de preservação permanente (APPs) com a reforma do código, prejudicando os pequenos produtores de Minas. Os cafeicultores lutam para que a produção em encostas e morros seja considerada atividade agrícola consolidada, para dar segurança jurídica ao produtor.

Caso a produção não possa continuar em morros e encostas, haverá redução de 24,7% na produção de café, ou seja, 664 mil toneladas. Minas, que responde por praticamente metade da produção, deixaria de produzir 334,7 mil toneladas e o Espírito Santo menos 234,7 mil toneladas de café, segundo dados da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

O relatório do código florestal que veio da Câmara dos Deputados, de autoria do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) prevê que áreas como encostas de morro será permitido o cultivo do café. “Por isso, queremos aprovar o código que veio da Câmara, porque conjuga preservação e produção”, afirma o senador Clésio Andrade.

O diretor do Conselho Nacional do Café, Francisco Miranda, lembrou a dificuldade de se impedir o uso de 30 metros da margem dos rios. “Queria deixar claro que somos totalmente favoráveis à preservação ambiental, mas não podemos perder nossas propriedades por questões regimentais. Nós somos os principais interessados em preservar o meio ambiente, pois é de onde tiramos o sustento de nossa família”, ressaltou.


Queda na produção

Se o Código Florestal vigente for aplicado com todo o rigor, haverá uma redução de 27,3% na produção de cereais, leguminosas e oleaginosas, o equivalente a 43,3 milhões de toneladas. Só em Minas Gerais, a queda na produção seria de 2,6 milhões de toneladas desses produtos. O Mato Grosso, grande produtor de soja, deixaria de produzir 16 milhões de toneladas. Redução prevista de 24,2% na produção de açúcar. São Paulo deixaria de produzir 91,6 milhões de toneladas e Minas menos 16 milhões de toneladas.

Participaram do debate o deputado Diego Andrade, presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cafeicultura; deputado Domingos Sávio, 1º vice-presidente da Frente; e o deputado Cézar Colnago. Além dos parlamentares, representantes do setor cafeicultor do sul de Minas também participaram da audiência pública.
 

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