Falta de investimentos leva transporte ao caos

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| 23/08/2011 - Atualizada em: quarta-feira, 28 de setembro de 2016 0:30

Foto: Júlio Fernandes

“Não sei se te dou os parabéns ou meus pêsames.” Esse foi o tom da fala do senador Clésio Andrade (PR-MG) nesta terça-feira (23) durante sabatina do general Jorge Fraxe e de Tarcísio Gomes de Freitas, indicados respectivamente para a direção geral e para a direção executiva do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

O parlamentar, que também preside a Confederação Nacional do Transporte (CNT) e o Sest Senat, afirmou que o problema do Dnit e do Ministério dos Transportes está na área econômica do governo.

O senador disse ainda que a ineficiência do órgão é causada pelo baixo investimento. “Os países que fazem parte dos Brics investem de R$ 100 bi a R$ 150 bi por ano. A China, que é um caso à parte, investe R$ 500 bilhões anualmente. Hoje, o Brasil precisa investir  cerca de R$ 250 bilhões em transporte (rodoviária, hidroviário e ferroviário), valor cinco vezes maior do que está disponível”, afirmou.

Clésio alertou que, sem dinheiro, o país fica sem perspectivas; e e recordou os anos JK. “Nós esquecemos um exemplo muito claro que é do presidente Juscelino Kubitschek. Quando ele priorizou energia e transporte, enxergou que não se consegue ter um crescimento econômico sem investimento prévio.”

A saída para falta de dinheiro do Governo Federal, apontou Clésio, podem ser as Parcerias Público-Privada (PPPs). “Nós podemos resolver todos os problemas do transporte com essas parcerias, a questão é a seguinte: o governo tem coragem de fazer isso? Vocês que estão indo pro Dnit vão enfrentar essa situação? Caso contrário, vamos continuar discutindo sempre os mesmos problemas no transporte."

Minas Gerais, estado que o parlamentar representa no Senado, se encontra em situação gravíssima em decorrência do baixo investimento, segundo apontou.

“Esqueceram do estado. Lá, temos 16% de toda malha rodoviária e, de R$ 54 bilhões que o governo tem disponíveis, se investe apenas R$ 1,5 bilhão em Minas”, argumentou, lamentando o número absurdo de nove mil mortes nas rodovias brasileiras, em parte devido à falta de manutenção e de adequação.

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