A Logística do Crescimento

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Artigo | 11/09/2012 - Atualizada em: segunda-feira, 17 de outubro de 2016 7:40

* por Clésio Andrade, Clésio Andrade é senador por Minas Gerais e Presidente da CNT – Confederação Nacional do Transporte ​


A presidenta Dilma Rousseff adotou uma das mais ousadas e consequentes entre as muitas decisões de chefe de Estado dos seus 18 meses de governo. O pacote de concessões em rodovias e ferrovias no valor de R$ 133 bilhões não tem paralelo na governança nacional e é, certamente, o melhor instrumento disponível para enfrentar o maior desafio a que se impôs a primeira presidenta do país: acelerar o crescimento econômico em busca do seu principal objetivo, que é construir um país rico e sem pobreza.

Diante do esgotamento dos estímulos ao consumo e às limitações nas desonerações com que se evitou desaquecimento maior da economia interna, a adoção do investimento como novo foco principal é a melhor resposta à grave crise internacional.
Investimentos estatais, parcerias público privadas, abertura concessões sob novas regras e o Regime Diferenciado de Contratação (RDC) podem alterar o estado de apatia e despertar o “instinto animal” do empresariado.

Desburocratização, desregulação, mecanismos simples e isentos de fiscalização, racionalização tributária também contribuiriam para enfrentar a crise internacional e impedir que seus principais reflexos, principalmente o desemprego, aportem por aqui com intensidade maior.

O investimento é, no momento, a única alternativa para crescimento na faixa de 5% previsto no Plano Plurianual de Investimentos (PPA) para o período 2012 a 2015. Previsão condicionada à elevação dos investimentos a 23,2% do PIB. E estacionamos nos 19,3% em 2011 e a perspectiva otimista este ano é de apenas 18,7%.

Com aumento da capacidade ociosa e cenário externo negativo, a indústria não se anima ao investimento; a agropecuária tem limites de crescimento na capacidade de consumo e de produção. Resta a solução universal, cujos resultados se podem observar com o ritmo chinês de crescimento: investimento em infraestrutura.
 
O setor do transporte é o principal potencial de investimento atual, e justamente aquele com maior poder de irradiação na economia. Em primeiro lugar, pelas obras em si; depois, pelo enorme ganho de competitividade da produção nacional no mercado externo, ao tempo em que reduz custos na oferta interna, contribuindo para o aquecimento da economia. E mais: transporte é pré-requisito indispensável ao crescimento, principalmente no Brasil, onde está absolutamente esgotada a capacidade de deslocamento de cargas e pessoas.

A linha de gestão adotada pela presidenta ainda traz maior equilíbrio entre as inúmeras correntes que formam sua base de sustentação política. De forma harmônica, sem abrir mão do papel do Estado, chamou a participação da iniciativa privada no que esta tem de melhor, como capacidade de investimento e gerência, ousadia e criatividade.
Agora, mãos às obras!

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