Foco no ambiente urbano

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Artigo | 20/07/2012 - Atualizada em: sexta-feira, 14 de outubro de 2016 7:47

​* Clésio Andrade é senador por Minas Gerais e presidente da Confederação Nacional do Transporte – CNT


O Brasil tem todas as condições para se apresentar como superpotência ambiental em 2022, quando certamente sediará a Rio + 30. Nos próximos dez anos, porém, teremos alguns desafios para enfrentar, muito mais nas cidades do que nas matas e nos campos.

A Embrapa Monitoramento por satélite mostrou que o Brasil abriga 28,3% das florestas primárias do mundo, graças ao fato de ter preservado até hoje 69,4% de suas reservas florestais. A África, que detinha 11%, hoje ficou com apenas 3,4%; a Ásia passou de 23,6% para 5,5%. Na Europa restam apenas 0,3%.

Apesar de ainda existir, os índices de desmatamento estão em queda contínua no Brasil, embora persistam riscos pontuais, principalmente em relação à mata atlântica (só 6,98% da vegetação nativa preservada) e em alguns biomas específicos, sendo necessário, ainda, priorizar a preservação da biodiversidade.

O produtor nacional tem consciência de que o mercado não quer mais desmatamento. As empresas que comercializam soja no Brasil firmaram compromisso em 2006 de não comprar de quem desmata na Amazônia. Os maiores frigoríficos nacionais fizeram o mesmo em 2009.

A Embrapa também demonstrou que o Brasil pode dobrar sua produção agrícola sem desmatar, graças à tecnologia e à recuperação de áreas de pasto e abandonadas. E 60% da vegetação nativa do Brasil estão nas reservas legais, preservadas pelo Código Florestal.

Apesar das críticas, atos da coroa portuguesa protegiam determinadas árvores desde 1550 e o regimento do pau-brasil é de 1600. A maior floresta urbana do mundo, a da Tijuca, no Rio de Janeiro, é fruto de reflorestamento determinado por D. Pedro II em 1961.

Todos os esforços para preservar o que resta e repor o que for possível é indispensável e a sociedade planetária está cobrando isso. 

Está na hora, porém, de se observar com mais atenção um outro ecossistema: o das cidades. Em especial as megacidades, como a ONU classifica aquelas com mais de dez milhões de habitantes.

Em 1950, 30% da população mundial viviam em cidades. Hoje, mais da metade. Em 2050, a proporção será invertida e 6,4 bilhões de pessoas, ou 70% dos previsíveis 9,2 bilhões de terráqueos estarão concentrados em centros urbanos. 

Um dos maiores legados da Rio + 20 será, certamente, a consolidação do C-40, grupo que hoje reúne 59 das maiores cidades do mundo e que durante o encontro mundial acordaram evitar a emissão de 1,3 bilhão de toneladas de gases poluentes até 2030. 

É a constatação, novamente, de que as grandes soluções estão nas cidades, que têm que atender seus moradores, sejam mineiros ou gaúchos, paulistas ou acreanos, sendo todos brasileiros. Como podem ser de Nova Iorque ou Paris, Hong Kong ou Tóquio. 

Ao final da primeira metade do Século 21, mais de dois terços da população mundial estarão nas cidades. Consequentemente, estas concentrarão ainda mais poder econômico e político e exigirão viver em um meio ambiente no mínimo razoável, além de condições de vida que implicam energia e transporte, moradia e água de qualidade, saneamento e administração do lixo, segurança e atendimento à saúde.

O Brasil, providencialmente, construiu alguns instrumentos promissores nesse sentido. O Estatuto das Cidades está completando dez anos neste ano e recentemente entrou em vigor a lei que fixa as diretrizes da política de mobilidade urbana. 

Esses dois documentos dão prioridade absoluta ao transporte coletivo e criam mecanismos de privilégio sobre o transporte individual. Não se trata de uma guerra ao automóvel, mas criar condições para que ônibus, metrô, trens urbanos e todo tipo de coletivo prevaleça sobre os individuais. E estimular a que todos, individuais ou coletivos, tenham combustíveis limpos ou sejam movidos a eletricidade.

É urgente que se abandone já o descaso com o planejamento dessas megalópoles que estão se formando, para que nelas não se acentuem, mas se reduzam, a concentração de desigualdades e de degradação ambiental.

É a forma de o Brasil chegar bem à Rio + 30.





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