O banco dos BRICS interessa ao Brasil

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| 02/04/2012 - Atualizada em: segunda-feira, 17 de outubro de 2016 5:55

 

Por Clésio Andrade, senador por Minas Gerais e presidente da Confederação Nacional do Transporte - CNT

 
A criação do banco de desenvolvimento do grupo de países do BRICS, um dos principais temas do 4º encontro de cúpula entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, em Nova Delhi, com a presença da presidenta Dilma Rousseff, é um ideia oportuna e promissora.

Os tradicionais organismos internacionais de crédito para o desenvolvimento foram e continuam sendo dominados pela Europa e Estados Unidos. Estes escolhem seus dirigentes, regras e prioridades. Entre elas, a de que o desenvolvimento dos demais parceiros está condicionada à absorção de recursos, tecnologia, bens e equipamentos importados das matrizes.

A crise de 2008/2009, que afetou mais profundamente aqueles países, acentuou as diferenças de interesses. O processo de salvamento de bancos norte-americanos e de países da zona do euro levou ao que a presidenta Dilma chamou de tsunami financeiro, agravando a situação cambial de países como o Brasil.

 

Um banco de desenvolvimento formado pelos países do BRICS, com capital, regras e prioridades próprios pode significar um meio efetivo de maior integração das respectivas economias, potencializando suas complementaridades e ampliando o comércio entre as partes, o que corresponde a crescimento de todos.

 

Além de contribuir para a descontaminação da crise europeia americana sobre os BRICS, um mecanismo financeiro desse porte pode viabilizar a utilização de moedas locais, ou uma bolsa de moedas, o que dará maior independência aos países emergentes em relação às moedas de livre curso, dólar e euro, predominantemente, o que equivale a  maior independência cambial.

Um eventual Banco Brics pode representar, para o Brasil, fonte de financiamento acessível para obras de infraestrutura que reduzam os custos de logística – e de preço final – para exportação de produtos demandados pela China, a exemplo do aço e da soja, por exemplo.

A China, ao lado de sua espantosa poupança interna, de 43% em relação ao PIB, está redirecionando seu crescimento para uma sociedade de consumo, o que pode representar uma possibilidade concreta de o Brasil inverter alguns fluxos comerciais e começar a vender produtos acabados aos chineses. Setores industriais brasileiros já estão atentos a essa possibilidade e investigando também as potencialidades do mercado indiano.

A união desses países em torno de um banco de desenvolvimento direcionado aos seus interesses pode, ainda, promover fluxos de capitais e tecnologia a países em desenvolvimento, mas com elevado potencial de crescimento, emprestando-lhes capacidade de absorver a produção de tecnologia, máquinas e equipamentos dos BRICS.

O Brasil, assim como Rússia, Índia, China e África do Sul, têm muito a ganhar com o patrocínio de um banco de investimento direcionado ao atendimento de suas necessidades e interesses. 

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