Falta de investimento coloca estradas em risco

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Artigo | 29/11/2011 - Atualizada em: segunda-feira, 10 de outubro de 2016 17:25

  
* Por Clésio Andrade, senador por Minas e  presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT)
 


De janeiro a setembro, só 1% das obras de transportes que fazem parte do PAC2 foi concluído. É o próprio governo que admite a lentidão na execução de obras fundamentais para o crescimento o país, conforme o último balanço do Programa de Aceleração do Crescimento.

O Ministério dos Transportes informou que das 42 licitações iniciadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), 14 foram revogadas e 27 suspensas, restando apenas uma em andamento.

Nos primeiros nove meses deste ano, foram executados R$ 80,2 bilhões em obras do PAC, mas apenas R$ 1,6 bilhão em rodovias, portos e aeroportos – 1,99% do executado. É preocupante falta de investimentos em transportes, que são a logística de desenvolvimento de qualquer nação.

Comparativamente, tanto a dotação de recursos como a velocidade de aplicação no setor de transporte são sensivelmente menores que nas demais áreas. A de habitação recebeu R$ 55,21 bilhões para financiamento a pessoas físicas; R$ 41,4 bilhões foram aplicados pelas estatais e R$ 25,6 bilhões pelo setor privado, em obras integradas ao PAC.

Há um ano, o Dnit lançou o Programa de Reabilitação de Obras de Arte Especiais (Proarte) para reformar metade das pontes e viadutos (2.500) das rodovias federais, entre 2011 e 2014, a um custo de R$ 5,8 bilhões.

Só neste ano, seriam aplicados R$ 1 bilhão para reforma de 500 dessas estruturas, em regime de urgência, por estarem com ferragem à mostra e juntas estruturais danificadas, constituindo-se em risco aos usuários. Em setembro, o programa foi desativado, com execução de 0%.

Com o início das chuvas, o que sempre degrada a malha viária, principalmente aquelas vias já deficientes, com problemas de escoamento, trincadas por excesso de peso ou estruturalmente fragilizadas por inconsistência de construção, não serão surpresa os desmoronamentos e buracos. Risco para os usuários, para veículos e cargas.

Os números falam por si. Quando não se investe oportunamente e no volume adequado na preservação desse patrimônio que se deteriora, o prejuízo é de toda a sociedade. A situação não é diferente no que diz respeito a portos e aeroportos, ferrovias e hidrovias.

 

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