Modelo de negócio agrada a empresas

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| 02/06/2011 - Atualizada em: segunda-feira, 17 de outubro de 2016 5:57

​Empreiteiras, concessionárias de rodovias e empresas aéreas ficaram satisfeitas com o modelo do governo federal para privatizar os aeroportos de Cumbica, Viracopos (ambos em São Paulo) e Brasília. Assim, as conversas para formação de consórcios para participar das licitações se intensificam. A garantia de controle privado dos aeroportos e a previsão de uma participação expressiva da Infraero minimizam problemas para os consórcios, como a eventual discussão que poderia surgir sobre a rentabilidade dos atuais ativos dos aeroportos, que são da estatal.

- Não tenho dúvidas de que haverá muitas empresas interessadas. O atual modelo, em parceria público-privada, é o mais adequado. Acredito ainda que, além de empresas de transporte, logística e construção, os fundos de pensão deverão investir no setor - afirmou o senador Clésio Andrade (PR-MG), presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT).

As movimentações das empresas para formação do consórcio, que já ocorriam antes do anuncio oficial das medidas, agora ganham força. Empresas estrangeiras já sondam grandes parceiros nacionais. Concessionárias de rodovias devem se interessar pelos terminais.
 
- O modelo é positivo porque elimina a dúvida sobre a divisão das receitas. Muitas empresas temiam que as taxas de embarque e dos aviões ficassem com a estatal e a empresa privada, com as verbas da exploração da área, como aluguel das lojas. Pelo modelo, a receita será total e dividida entre os sócios - disse Moacyr Duarte, presidente da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR).
 
Paulo Fleury, especialista em logística, afirma que a participação da Infraero também facilita as empresas, que terão um forte sócio - o governo - para levantar capital para os investimentos necessários. Ele disse que ainda há muitos detalhes a serem conhecidos, mas que o mercado gostou do que foi anunciado até o momento.
 
Especialistas defendem uma mudança no edital da concessão do aeroporto de S. Gonçalo do Amarante (RN) para ficar próximo do novo modelo. Eles também pedem regras claras para evitar que a Infraero se associe a um dos sócios privados e fique com o controle dos terminais.
 
A tendência das companhias áreas, segundo Eduardo Salomão, sócio do Levy & Salomão Advogados, é que elas sejam minoritárias, caso participem de consórcios. Entre as aéreas, a Azul é uma das candidatas mais cotadas para disputar Viracopos, sua base de operações. A empresa diz apenas que está acompanhando o assunto e que vai avaliar sua participação após a publicação do edital. A Avianca, que opera um aeroporto na Colômbia, e a Webjet também analisam a oportunidade.Já a Gol admite formar consórcios, caso seja "essencial para a governança" do modelo. A TAM não se manifestou.

 

Henrique Gomes Batista e Danielle Nogueira - O Globo

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